Santa Catarina pode ganhar uma nova operação industrial em um segmento de maior intensidade tecnológica. A AG Santé Pharma prepara a instalação de uma unidade em Tijucas, na Grande Florianópolis, com investimento inicial de aproximadamente R$ 50 milhões e potencial para superar R$ 100 milhões ao longo das próximas etapas.
O projeto será voltado a medicamentos de maior complexidade, principalmente nas áreas de oncologia, Hematologia e tratamentos especiais.
A estratégia prevê começar com uma estrutura de controle de qualidade e suporte aos produtos desenvolvidos por parceiros internacionais e, posteriormente, avançar para a produção farmacêutica em Santa Catarina.
A área para implantação já foi adquirida pela empresa. A expectativa é que a evolução para um parque fabril ocorra em um horizonte de três a quatro anos, condicionada ao avanço das etapas regulatórias, técnicas e industriais.
Projeto começa com pelo menos 10 medicamentos
Na primeira fase, a unidade será responsável pelo controle de qualidade de produtos farmacêuticos desenvolvidos e produzidos por empresas internacionais parceiras.
Paralelamente, pretende avançar nos processos de licenciamento, autorizações e registros necessários para comercializar o portfólio no mercado brasileiro.
A previsão inicial é trabalhar no registro de pelo menos 10 medicamentos. Parte relevante será composta por terapias de administração oral, em comprimidos e cápsulas, incluindo produtos utilizados no tratamento de diferentes tipos de câncer.
Entre os princípios ativos previstos estão enzalutamida e abiraterona, utilizadas em tratamentos de câncer de próstata; lenalidomida, empregada, entre outras indicações, no tratamento do mieloma múltiplo; axitinib, utilizado em determinados casos de câncer renal; imatinib, presente em tratamentos como o da leucemia mieloide crônica; e capecitabina, utilizada contra diferentes tipos de câncer.
Cada medicamento deverá passar individualmente pelas etapas regulatórias exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo análises relacionadas à qualidade, segurança e eficácia.
Segundo Arthur Freitas Rasmussen, CEO da AG Santé Pharma, a presença de terapias de administração oral acompanha mudanças na própria abordagem dos tratamentos:
“Isso está alinhado a uma evolução importante da medicina: buscar tratamentos eficazes e seguros, mas que também possam, sempre que clinicamente possível, trazer maior conveniência e menor impacto na rotina dos pacientes”, afirma.
Produção farmacêutica deve ser próxima etapa
O projeto ganha maior dimensão na segunda fase. A estratégia é transformar gradualmente a operação de Tijucas em uma plataforma de desenvolvimento e produção de medicamentos de maior complexidade. Com a implantação do parque fabril, o investimento acumulado poderá ultrapassar R$ 100 milhões.
A expectativa da AG Santé Pharma é ampliar progressivamente a participação de processos realizados no Brasil, o que também poderá gerar demanda por profissionais especializados e fornecedores das áreas farmacêutica, laboratorial, logística e tecnológica.
“Nosso planejamento prevê evoluir para a implantação de um parque fabril farmacêutico em Tijucas, ampliando nossa capacidade de contribuir para a saúde e para o desenvolvimento da indústria farmacêutica brasileira”, explica.
A estratégia está inserida em uma discussão mais ampla sobre a capacidade nacional de produzir medicamentos e tecnologias consideradas estratégicas para a saúde.
A política industrial brasileira estabeleceu como meta que, até 2033, 70% das necessidades nacionais de medicamentos, vacinas, equipamentos, dispositivos e outros insumos e tecnologias de saúde sejam atendidas pela produção nacional.
Nesse contexto, a instalação de uma nova operação adiciona ao estado uma atividade industrial com maior demanda por conhecimento técnico, pesquisa, controle de qualidade e profissionais especializados.
Investimento pode diversificar economia de Tijucas
A escolha de Tijucas ocorre também em um período de expansão demográfica do município. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentados no projeto, a cidade tinha 51,6 mil habitantes no Censo de 2022 e chegou a uma população estimada superior a 58 mil habitantes em 2025.
Além do investimento direto, a implantação de uma indústria farmacêutica pode contribuir para diversificar uma economia historicamente ligada a atividades mais tradicionais e criar oportunidades para profissionais de áreas como Farmácia, Química e Engenharia.
“Minha expectativa tem nome e sobrenome: é o filho do tijucano que hoje estuda Farmácia, Química, Engenharia e acha que vai ter que ir embora para trabalhar na área. O emprego qualificado que estava em outros centros poderá estar perto de casa”, afirma Maickon Campos Sgrott, prefeito de Tijucas.
Se concretizada conforme o planejamento, a operação também adicionará um novo segmento à matriz industrial da cidade, combinando investimento, tecnologia e geração de empregos especializados.
Fonte ==> EconomiaSC