Bispos do México alertam para risco de censura governamental disfarçada de regulação

Bispos do México alertam para risco de censura governamental disfarçada de regulação

A Conferência Episcopal Mexicana (CEM) questionou diversos aspectos da proposta do governo para regular os direitos das audiências de rádio e televisão, alertando que a medida pode condicionar a liberdade de expressão aos critérios governamentais de “verdade” e comprometer a liberdade religiosa e a independência editorial dos meios de comunicação. Em declaração divulgada em 13 de agosto, os bispos afirmaram que “a verdade não é decretada; ao contrário, ela é buscada e reconhecida por meio do debate livre e pluralista”.

A consulta pública, aberta de 27 de julho a 21 de agosto e conduzida pela Comissão Reguladora de Telecomunicações do país, trata de uma regulamentação que, segundo os bispos, “tocará a vida cotidiana de milhões de mexicanos: o que ouvimos no rádio, o que assistimos na televisão e os espaços onde a informação, a cultura, a fé, a opinião e a crítica construtiva encontram voz”.

A CEM reconheceu aspectos positivos da proposta, como a proibição explícita de censura prévia, a não discriminação baseada em religião e a proteção de grupos vulneráveis contra manipulação, publicidade enganosa e conteúdo que degrada a dignidade humana. “Que esses direitos tenham mecanismos claros para serem aplicados é algo bom para todos”, destacou a conferência.

No entanto, os bispos advertiram que, embora o propósito de proteger os direitos das audiências seja legítimo, a forma pela qual se tenta alcançar o objetivo também importa. A declaração da CEM se soma a outras manifestações feitas pela Igreja Católica no México. Em 1º de agosto, a Arquidiocese Primaz do México afirmou que “não pode haver censura prévia” e que nenhuma autoridade administrativa deveria determinar a veracidade ou aceitabilidade de opiniões.