Sua marca ou negócio é recomendada na consulta da IA?

Sua marca ou negócio é recomendada na consulta da IA?

A inteligência artificial já está mudando a forma como consumidores e empresas buscam informações, com ferramentas como ChatGPT, Gemini e Perplexity assumindo parte do papel antes concentrado nos mecanismos tradicionais de busca. Nesse novo cenário, surge uma questão estratégica para as marcas: quando um potencial cliente deixa de recorrer apenas ao Google e passa a perguntar a uma IA qual empresa, produto ou serviço deveria escolher, a sua marca aparece entre as recomendações?

Foi a partir dessa provocação que nasceu a Rekon, startup brasileira que desenvolveu uma plataforma para monitorar a presença das marcas nas respostas geradas por diferentes sistemas de inteligência artificial. A solução acompanha não apenas se uma empresa é mencionada, mas também sua posição, contexto, concorrentes citados, fontes utilizadas e frequência com que aparece nas respostas.

A startup foi a vencedora do InicIA 2026, jornada de desenvolvimento promovida pela WK Sistemas, que tive a oportunidade de acompanhar de perto ao longo neste primeiro semestre. O reconhecimento marca o início de uma nova etapa para a Rekon: como parte da premiação, a startup contará com seis meses de mentorias especializadas junto a especialistas das WK, com foco em transformar a validação conquistada no programa em crescimento e novas oportunidades de mercado.

Para entender melhor essa mudança no comportamento de busca e conhecer a trajetória da startup, conversei com Leandro Aveiro, CEO da Rekon.

Como nasceu a Rekon e que problema do mercado vocês identificaram como oportunidade?

Leandro Aveiro: A Rekon nasceu de uma mudança de comportamento que eu vi acontecendo antes de virar consenso. As pessoas pararam de só pesquisar no Google: elas perguntam ao ChatGPT qual software contratar, qual clínica procurar, qual fornecedor é confiável. E a IA responde recomendando duas ou três marcas. Se a sua empresa não está nessa resposta, você perdeu o cliente sem nunca saber que ele existiu. Pesquisas internacionais já mostram que mais da metade dos compradores B2B começa a jornada num assistente de IA, e que o clique na busca tradicional despenca onde a IA responde primeiro. Eu enxerguei isso cedo por causa da minha trajetória. Eu chefio um Departamento de Prospecção Tecnológica, cujo trabalho é identificar tecnologia antes de ela estourar no mercado. Tenho Mestrado em gestão da inovação e o foco da minha pesquisa foram as LLMs, os modelos de linguagem por trás dessas IAs, e toco uma agência de IA que atende empresas B2B. Juntando essas três lentes, o problema ficou evidente: as empresas não tinham como saber se apareciam nas respostas das IAs, por que o concorrente aparecia, nem o que fazer para mudar isso. Como exemplo, rodamos um diagnóstico real com uma marca líder de mercado: em 150 consultas às IAs, que geraram 885 menções a mais de 250 marcas, ela tinha 0% de presença justamente nas perguntas de decisão de compra. Líder de mercado, invisível quando o cliente decide. Essa é a dor que a Rekon resolve.

O que a Rekon oferece ao mercado e o que diferencia a startup das soluções que já existem?

Leandro Aveiro: A Rekon acompanha a presença da marca nas principais IAs do mercado: ChatGPT, Gemini, Perplexity, Claude, Grok e as respostas com inteligência artificial do próprio Google, que hoje aparecem no topo da busca. E não medimos só se a marca foi citada. Medimos em que posição ela aparece, com que sentimento, se a IA a recomenda ativamente ou só menciona de passagem, quem divide espaço com ela na resposta, quais fontes a IA consultou para responder e quão estável essa presença é ao longo do tempo. Tudo separado por perfil de comprador e por etapa da jornada de compra, porque aparecer numa curiosidade genérica é muito diferente de aparecer na pergunta que antecede a decisão. O primeiro diferencial é rigor estatístico de verdade. A mesma pergunta feita à mesma IA pode gerar dezenas de respostas diferentes, então medir uma vez é achismo. Nós repetimos cada pergunta dezenas de vezes, de forma contínua ao longo do mês, e entregamos cada número com intervalo de confiança, como uma pesquisa eleitoral entrega margem de erro. Ninguém mais faz isso no Brasil. O segundo diferencial é que a Rekon não para no diagnóstico: a plataforma entrega o que a marca precisa fazer para aparecer, do conteúdo certo e onde publicá-lo até ajustes técnicos no site, com base numa base de conhecimento com centenas de evidências verificadas sobre como cada IA escolhe o que citar. O ChatGPT busca de um jeito, o Google AI Overviews de outro, o Perplexity de outro. Recomendação genérica não funciona, e a nossa é específica por IA.

Como a participação no InicIA e a conquista do primeiro lugar contribuíram para a evolução e validação da Rekon?

Leandro Aveiro: O InicIA foi um acelerador de maturidade. A jornada nos obrigou a fazer o que muita startup pula: pesquisa profunda de mercado e de persona, análise competitiva de mais de uma dezena de players (inclusive internacionais) e teste de hipótese com dados reais, não com opinião. Foi durante o programa que rodamos o piloto que confirmou a tese: marcas fortes no Google podem estar invisíveis nas IAs. Vencer a edição, com o anúncio no palco do Conexão WK, validou duas coisas. Primeiro, o problema: uma banca de especialistas que atuam no mercado olhou a nossa solução e concluiu que essa dor é real e crescente. Segundo o método: chegamos à final com produto em produção, metodologia estatística defensável e caso real auditado, e acho que foi isso que a banca premiou.

Quais são os próximos passos da Rekon e quais oportunidades a startup busca neste momento?

Leandro Aveiro: O nosso foco imediato é crescimento comercial: levar a plataforma para mais empresas que já entenderam que o cliente delas pergunta para a IA antes de comprar. A possibilidade de aceleração com a WK Sistemas é parte central disso, tanto em mentoria quanto em acesso a ecossistema. Em paralelo, estamos estruturando a via de pesquisa. A Rekon tem base científica forte, e buscamos instrumentos de fomento à inovação, como o PIPE da FAPESP e parcerias com institutos credenciados pela EMBRAPII, para aprofundar ainda mais o rigor do método em escala. E seguimos abertos a conversas com o ecossistema: parceiros de canal, agências e consultorias que queiram oferecer GEO aos seus clientes, e investidores que enxerguem o tamanho dessa mudança. A busca por informação está migrando para as IAs. Quem medir e agir primeiro define quem será recomendado nos próximos anos, e a Rekon quer ser a infraestrutura dessa resposta no Brasil.

Da participação à próxima fase

A trajetória da Rekon no InicIA mostra que um programa de aceleração ou inovação aberta, pode ser muito mais do que uma oportunidade para apresentar uma boa ideia ou negócio. Quando existe acompanhamento, mentoria e conexão com empresas que já possuem experiência de mercado, o programa pode ajudar o empreendedor a enxergar novos caminhos e transformar uma solução em negócio.

No caso do Leandro da Rekon, o primeiro lugar no InicIA não representa um ponto de chegada, mas o início de uma nova etapa. A startup agora conta com acompanhamento de seis meses e mentoria especializada da WK Sistemas em áreas estratégicas, aproximando a solução de uma estrutura preparada para apoiar seus próximos passos.

É justamente esse um dos grandes valores de programas de aceleração e iniciativas de inovação aberta: além de desenvolver a ideia, o empreendedor/startup ganha acesso a conhecimento, conexões e, principalmente, a um parceiro com experiência e credibilidade para ajudar a acelerar o caminho até o mercado.

Para quem empreende, fica a reflexão: Se um cliente perguntar à IA qual empresa deve escolher, você sabe se a sua marca ou negócio será uma das recomendadas?



Fonte ==> EconomiaSC

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