O futebol brasileiro não está exatamente vivendo um momento de espetáculo. Nas Séries A e B e também na Copa do Brasil, o nível técnico, de maneira geral, está longe de ser exuberante. Faltam, em muitos jogos, criatividade, qualidade na construção das jogadas e aquele futebol capaz de prender o torcedor pela beleza. Mas há outro ingrediente que tem deixado as partidas mais interessantes: a competitividade.
E isso merece ser reconhecido. Com o afunilamento das competições, as equipes passaram a jogar mais no limite, seja pela disputa do título, por uma vaga nas competições internacionais, pelo acesso ou na luta desesperada contra o rebaixamento. A necessidade do resultado aumentou e, junto com ela, a intensidade. Nem sempre é futebol bonito, mas é futebol disputado.
A Copa do Brasil talvez seja o melhor exemplo. Temos visto confrontos acirrados, nos quais a diferença técnica entre os times muitas vezes é reduzida pela disposição e pela capacidade de competir. O clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG, o Galo, foi um desses jogos em que a rivalidade e a importância da competição fizeram a partida ganhar uma dimensão diferente.
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O mesmo pode ser observado no duelo entre Palmeiras e Santos. No jogo de ida, o Palmeiras praticamente amassou o adversário, impondo seu ritmo e mostrando superioridade durante boa parte da partida. Ainda assim, o que chama a atenção neste cenário é justamente a intensidade com que os grandes confrontos estão sendo tratados. Quando há mata-mata em jogo, não existe espaço para distração. O time precisa competir em cada disputa.
Outro exemplo interessante foi o Vasco. Mesmo ficando com um jogador a menos cedo no jogo, a equipe conseguiu ser extremamente competitiva e chegou ao ponto de vencer o jogo de ida. É o tipo de situação que mostra como, em determinadas partidas, a organização, a entrega e a capacidade de suportar a pressão podem equilibrar um confronto. Não se trata apenas de jogar bem com a bola. É preciso saber competir quando o cenário fica adverso.
Na Série B, também tivemos uma boa demonstração disso no último final de semana, no confronto entre Criciúma e Fortaleza. Foi um jogo que mostrou duas equipes dispostas a disputar cada espaço, com intensidade e concentração, deixando evidente que a competição chegou a um estágio em que ninguém pode se dar ao luxo de baixar a guarda. O Fortaleza venceu o duelo, mas o Criciúma foi competitivo.
E talvez seja justamente esse o ponto mais interessante desta reta da temporada. O futebol brasileiro pode até não estar entregando espetáculos, daqueles jogos que fazem o torcedor levantar da cadeira pela qualidade técnica. Mas está oferecendo partidas com tensão, disputa, estratégia e necessidade de resultado.
Quando a temporada entra na reta decisiva, o time que antes podia administrar um resultado agora precisa lutar por ele até o último minuto. É nesse ambiente que a competitividade aparece com mais força.
Não é uma defesa ao futebol brasileiro de baixa qualidade, não se trata disso. E sim de exaltar a alta competitividade neste momento da temporada
Não é uma defesa do futebol de pouca qualidade técnica. Pelo contrário. Todos gostaríamos de ver mais talento, criatividade e grandes atuações. Mas, diante do que temos acompanhado, é justo reconhecer que a competitividade tem sido um ingrediente capaz de tornar os jogos mais atraentes.
Às vezes, o jogo prende justamente porque ninguém quer perder, porque cada dividida importa e porque o resultado permanece em aberto até o fim. E, nesta fase da temporada, essa disposição para competir pode ser tão decisiva quanto a qualidade técnica.
Fonte ND Mais