A energia sexual realmente pode produzir riqueza?

Murillo C. Freitas

Por Murillo C. Freitas

Sempre que abordo esse tema em cursos ou palestras, percebo que as pessoas se dividem quase imediatamente em dois grupos.

De um lado, aqueles que concordam sem qualquer questionamento. Do outro, os que rejeitam a ideia antes mesmo de refletirem sobre ela.

Talvez isso aconteça porque a palavra “sexual” ainda desperte interpretações muito limitadas.

Quando falo em energia sexual, não estou falando simplesmente de libido. Muito menos de atividade sexual. Estou falando da força mais primitiva e poderosa existente dentro do ser humano: a energia responsável pela criação da vida.

Antes de criar uma empresa, escrever um livro, desenvolver uma teoria, pintar uma obra de arte ou fundar uma civilização, a natureza já utilizava essa mesma força para criar seres humanos.

Essa observação muda completamente a perspectiva.

Percebo que nossa cultura aprendeu a enxergar a sexualidade quase exclusivamente pelo prisma do prazer. No entanto, biologicamente, psicologicamente e simbolicamente, ela representa algo muito maior.

Ela é potência.

Ela é impulso.

Ela é movimento.

Ela é criação.

Murillo C. Freitas

Não considero coincidência que as mesmas regiões cerebrais relacionadas à motivação, ao desejo, à recompensa e à iniciativa participem tanto da sexualidade quanto dos processos de realização pessoal. A neurociência vem demonstrando, há décadas, que sistemas mediados principalmente pela dopamina influenciam nossa disposição para agir, explorar, persistir e conquistar objetivos.

É exatamente por isso que faço uma distinção importante.

Não acredito que uma libido elevada produza dinheiro.

Acredito que uma energia vital elevada, quando canalizada de maneira inteligente, pode produzir praticamente qualquer realização humana.

Dinheiro é apenas uma delas.

Ao longo da minha vida profissional, observei centenas de empresários, terapeutas, executivos, vendedores e líderes.

Os profissionais mais extraordinários dificilmente eram aqueles que apenas dominavam técnicas.

Eles possuíam algo diferente.

Entravam em um ambiente e imediatamente transmitiam presença.

Falavam pouco, mas mobilizavam pessoas.

Tinham brilho no olhar.

Demonstravam entusiasmo.

Eram criativos.

Suportavam rejeições sem perder o entusiasmo.

Mantinham uma intensidade que parecia inesgotável.

Com o tempo, compreendi que todas essas características possuíam um denominador comum: uma enorme quantidade de energia psíquica disponível.

Na psicologia, Carl Gustav Jung já afirmava que a libido não deveria ser compreendida exclusivamente como impulso sexual, mas como uma energia psíquica capaz de movimentar toda a personalidade humana. Essa visão amplia significativamente o conceito e nos permite compreender por que a mesma força que desperta o desejo também pode alimentar a criatividade, a espiritualidade, a liderança e a busca por propósito.

As antigas tradições orientais chegaram a conclusões semelhantes muitos séculos antes da ciência moderna.

No Taoismo, essa energia é chamada de Jing.

No Yoga, manifesta-se como Shakti.

Em diversas escolas iniciáticas, ela representa o combustível da transformação interior.

Embora utilizem linguagens diferentes, todas parecem apontar para uma mesma direção: existe dentro do ser humano uma força criadora que pode ser desperdiçada ou transformada.

É justamente aqui que reside o ponto mais importante.

Toda energia precisa de direção.

Quando não encontra propósito, ela procura descarga.

Quando encontra propósito, ela constrói.

Essa talvez seja uma das maiores diferenças entre pessoas que vivem reagindo aos impulsos e aquelas que aprendem a utilizá-los como combustível para realizar grandes projetos.

Percebo isso diariamente em consultório, em treinamentos e nas empresas onde atuo.

Algumas pessoas gastam praticamente toda sua energia tentando aliviar tensões emocionais através do consumo excessivo, das redes sociais, de relacionamentos superficiais, de conflitos constantes ou da busca incessante por gratificação imediata.

Outras fazem exatamente o contrário.

Transformam inquietação em estudo.

Transformam desejo em disciplina.

Transformam intensidade em trabalho.

Transformam paixão em legado.

A quantidade de energia disponível pode até ser semelhante.

O destino dessa energia é completamente diferente.

Talvez por isso eu prefira substituir uma frase que se tornou bastante popular.

Em vez de dizer que “quanto maior a energia sexual, maior será sua capacidade de ganhar dinheiro”, eu diria:

Quanto maior for sua capacidade de transformar sua energia vital em criatividade, disciplina, presença e ação consistente, maiores serão suas possibilidades de construir prosperidade.

A prosperidade nunca nasce apenas do talento.

Nem apenas da inteligência.

Muito menos da sorte.

Ela costuma nascer do encontro entre uma mente disciplinada e uma energia suficientemente intensa para sustentar anos de trabalho, aprendizado, adaptação e persistência.

No final das contas, talvez o dinheiro nunca tenha sido o verdadeiro assunto desta conversa.

O verdadeiro tema sempre foi a vida.

E toda vida, antes de produzir riqueza, produz energia.

A pergunta que deixo ao leitor não é quanto de energia você possui.

A pergunta é muito mais desafiadora:

O que você tem feito com ela?

Murillo C. Freitas
Terapeuta, pesquisador, professor e escritor. Autor de seis livros, dedica-se há décadas ao estudo da mente humana, da psicologia simbólica, da hipnose, do comportamento e das tradições iniciáticas, investigando os pontos de encontro entre ciência, filosofia e espiritualidade.

Contatos:
Site: www.murilloterapeuta.com.br
Instagram: murillocfreitasterapeuta
E-mail: murillocfreitas@gmail.com
WhatsApp: (11)96770-6770

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

8 * 5 = ?
Reload

Please enter the characters shown in the CAPTCHA to verify that you are human.